Empresas de energias renováveis vão contratar 340 mil pessoas no Brasil

Até 2020, 340 mil empregos diretos e indiretos podem ser gerados no Brasil pelo setor de energias renováveis. O volume de novos postos de trabalho teria condições de ser alcançado apenas pelos setores solar e eólico, segundo previsões da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Entre 20 mil e 60 mil empregos na área fotovoltaica serão criados dentro de quatro anos, acompanhando o crescimento do mercado. Segundo a associação do setor, para cada megawatt instalado por ano, são geradas entre 25 a 30 novas vagas. Para a ABEEólica, as perspectivas são ainda mais otimistas: a entidade estima o alcance de até 280 mil novos postos no setor eólico em todo o país. Somente em 2016, o índice pode chegar a 45 mil oportunidades. Nesse mercado, a cada megawatt instalado anualmente, 15 novas vagas são criadas.

A construção de novos parques solares e eólicos no país, aprovados a partir de leilões de energia elétrica organizados com frequência pelo governo federal, é uma das razões para a expansão. Nas duas áreas, as principais atividades estão relacionadas, em ordem de maior predominância, a funções de instalação, fabricação, desenvolvimento, venda, distribuição e manutenção dos equipamentos.

Mercado eólico

Segundo a ABEEólica, a capacidade instalada de geração energética a partir do vento no Brasil está em 9,41 gigawatts. A porção é distribuída em 375 parques eólicos, que operam ou estão em fase de testes, instalados em diferentes estados. Em poucos anos, o país subiu cinco posições no ranking global de geração eólica. Hoje, ocupa o 10º lugar em capacidade instalada. Em 2013, ficava em 15º. De acordo com a associação, somando outros 376 parques que vão entrar em operação ou ser construídos até 2019, novos 9,07 gigawatts devem ser instalados. Em resumo, se as previsões se confirmarem, até o fim desta década, o Brasil passa a contar com 18,5 gigawatts de potência eólica acumulada em sua matriz elétrica. O volume, além de fornecer as milhares de oportunidades de trabalho previstas em diferentes setores da cadeia produtiva, é capaz de atender o consumo energético de 93 milhões de brasileiros, ou 31 milhões de residências com consumo médio de 167 kWh/mês.

Setor fotovoltaico

O mercado solar, apesar de ser hoje responsável por apenas 0,02% da produção total de eletricidade no país – ou 0,027 gigawatts – também deve crescer. De acordo com a ABSOLAR, até 2018, as instalações de novas usinas solares em território nacional vão somar 3,3 gigawatts de potência instalada, fato que resultará em 20 mil a 60 mil oportunidades de trabalho.

Para Rodrigo Lopes Sauaia, diretor executivo da associação, projetos fotovoltaicos podem ser desenvolvidos em qualquer parte do país e têm tudo para contribuir com a dinamização e o reaquecimento da economia nacional. “Vivemos um momento emergente do setor, mas, dentro de alguns anos, com mais domínio da tecnologia, profissionalização do setor e aumento da demanda fotovoltaica, vamos aproveitar uma maturidade maior. A quem estiver preparado, o mercado vai fornecer boas oportunidades”, indica.

Para isso, contudo, investimentos e apoio público continuam indispensáveis. “O Paraná ainda não aderiu ao convênio ICMS 16/2015, que isenta do pagamento de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] o consumidor que conta com um sistema solar instalado em sua residência ou empreendimento. Se a expectativa do Estado é aumentar o acesso à tecnologia e incentivar a geração de empregos no setor, precisa estar atento à necessidade de fazer a adesão”, comenta Sauaia. Hoje, 16 entre os 27 estados brasileiros contam com a isenção.

Remuneração

Desde 2014, quando as tarifas energéticas viveram um aumento expressivo, as empresas que fornecem produtos, soluções e cursos em energia solar viu a procura pelos serviços que oferta crescer significativamente. Em pouco mais de quatro anos, desde que passou a formar profissionais aptos a conhecer, projetar e instalar módulos solares, a empresa estima que cerca de cinco mil pessoas já tenham sido capacitadas para trabalhar em diferentes áreas do setor.

“São profissionais com formações variadas, que passaram a ver na energia fotovoltaica uma oportunidade de mercado e até a chance de ter o próprio negócio”, conta Nelson Colaferro, empresário do ramo. Segundo ele, a remuneração média dividida entre uma equipe formada por duas ou três pessoas que domine o processo de instalação de um sistema em uma residência, por exemplo, pode ficar entre R$ 6 mil e R$ 8 mil. Já a de um projetista que desenvolva estruturas de pequeno a médio porte, entre R$ 2 mil a R$ 4 mil.

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