Energia renovável - Atlas das biomassas do Rio Grande do Sul


A crescente demanda pelo uso de recursos não renováveis, como o petróleo e a energia termoelétrica, ressaltam a necessidade de busca por outras fontes energéticas. Com grande potencial para a produção de biogás e biometano, a biomassa está entre as opções de recursos naturais renováveis oferecidos. Porém, o acesso e a falta de localização desses recursos tornam essa fonte uma energia pouco explorada.

Ao encontro dessa demanda, foi lançado em agosto de 2016 o Atlas das Biomassas para Produção de Biogás e Biometano no RS. Elaborado ao longo de um ano na Univates (com patrocínio da Secretaria de Minas e Energia e da Sulgás), o projeto busca mapear as fontes de biomassa e resíduos com potencial de produção de biogás e biometano no Estado do Rio Grande do Sul.

Conforme o professor coordenador do projeto, Odorico Konrad, o atlas permite analisar de forma mais expressiva a geração de dejetos e resíduos nas indústrias, visto que eles são uma fonte de biomassa promissora para a produção de biogás. “Nós fizemos um levantamento no Estado inteiro e conseguimos visualizar que o Rio Grande do Sul tem potencialidade gigantesca para a produção de biogás, pelas diferentes biomassas que estão sendo geradas no campo”, garante.


Konrad, porém, alerta que o acesso a esses resíduos também é um empecilho enfrentado por futuros investidores, uma vez que alguns dos dejetos são facilmente coletados e outros estão espalhados pelo campo. “Quando olhar no seu entorno, você vai ver muitas biomassas, pois elas são resíduos ou plantas que estão sendo colocadas à disposição do ser humano. Então, o atlas mapeou e deixou bem claro onde estão as biomassas e quais delas são acessíveis e podem ser utilizadas para fins energéticos”, destaca.

Conforme Marildo Guerini Filho, engenheiro ambiental apoiador do projeto, esse estudo vem ao encontro do conceito de desenvolvimento sustentável, suprindo as necessidades das gerações atuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras. “Trata-se de um estudo inédito no Rio Grande do Sul, uma vez que esse atlas permite conhecer as potencialidades de biomassa no Estado e serve como um instrumento para elaboração de políticas no setor energético e de futuros investimentos nesse setor”, afirma.

O Vale do Taquari como uma potencialidade

Segundo o coordenador do projeto, o Vale do Taquari é um grande gerador de biomassa no ambiente primário, visto que, por meio da criação de aves, suínos e bovinos possui uma produção significativa de dejetos para a produção de biogás. Mas o potencial se expande também para as agroindústrias, que trabalham com essa produção e de certa forma se tornam um grande gerador de biomassa.

“A maioria das indústria, como por exemplo os frigoríficos, possuem efluentes gerados no seu abate, que, quando tratados, podem gerar biomassa e, consequentemente, ser aproveitada na produção de biogás. O Vale do Taquari pode ser considerado uma região com grande potencial de biomassa acessível, sendo também uma região com necessidade energética muito grande, pois importamos praticamente 95% da energia produzida no Vale. Então essa biomassa pode ser uma resposta energética renovável para a região”, conclui Kornad. 

O atlas pode ser conferido no site da Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, na página www.minasenergia.rs.gov.br/mapa-das-biomassas.

Texto: Artur Dullius

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