Movimento global para afastar os veículos com motor de combustão interna


Cada vez é maior a preocupação em torno das alterações climáticas. Uma das principais fontes de poluição que contribuem para esse fenômeno são os veículos com motor de combustão interna. Seremos capazes de fazer uma transição para os veículos elétricos?

Líderes políticos e empresariais reuniram-se em São Francisco para uma grande reunião em torno das mudanças climáticas, comprometendo-se a avançarem rapidamente para o que já foi considerado uma medida indispensável – o fim dos veículos com motor de combustão interna.

Um grupo de 26 líderes, representando um total de 122 milhões de pessoas, reuniu-se usando o Global Climate Action Summit para pedir aos fabricantes de automóveis para aceleraram o ritmo da produção de veículos elétricos. Doze cidades, incluindo Santa Mónica, Tóquio e Manchester, já se comprometeram a colocar em circulação autocarros com zero emissões a partir de 2025.

Autocarro elétrico em fase de testes

Estas decisões surgiram depois de 19 cidades norte-americanas terem decidido aumentar o número de veículos elétricos disponíveis na sua frota. Também o IKEA já veio anunciar que está a planear tornar todas as suas entregas ao domicílio livres de emissões, afastando-se de veículos e camiões movidos a combustíveis fósseis.

“Esta procura irá ajudar a mostrar às empresas de automóveis de que precisam de terminar de produzir automóveis com motor de combustão interna”, disse Helen Clarkson, diretora-executiva do The Climate Group, que está por detrás do Zero-Emission Vehicle Challenge. “Quando se vê cidades a fazerem este tipo de compromissos, isso cria uma nova tendência no mercado. O transporte está um pouco atrasado na evolução em relação à energia, mas estamos agora realmente a ver as coisas a acontecerem”.

A eletrificação do transporte é particularmente desafiador nos EUA, onde o transporte é hoje o maior contribuinte de gases com efeito de estufa para a atmosfera e onde os condutores optam sempre por carros maiores, mesmo que não precisem deles. A administração de Trump também está no processo de enfraquecer os padrões de eficiência dos combustíveis o que deve favorecer a expansão dos veículos elétricos.

“A revolução do transporte limpo está agora mesmo à nossa frente”, disse Eric Garcetti, prefeito de Los Angeles. Garcetti foi um dos 35 prefeitos do estado da Califórnia a escrever às empresas responsáveis a exigir autocarros 100% livres de emissões até 2040. “As cidades estão onde estão e isso não pode ser alterado. É mais importante quem vive nelas do que na Casa Branca. Precisamos de mais carros, autocarros, carros do lixo, seja o que for, mas com emissões zero”.

Quase 200 mil veículos elétricos foram vendidos nos EUA no ano passado, embora as vendas fiquem muito atrás das vendas de outros países. Os analistas culpam a falta de marketing das grandes empresas automóveis, o apego cultural aos grandes veículos e a ansiedade por maiores autonomias.

Erik Solheim, chefe do ambiente da ONU, disse que metade dos veículos comprados no seu país, Noruega, é agora elétrica ou híbrida devido a fortes incentivos fiscais e permitindo que os veículos elétricos circulem em faixas que eram dedicadas aos autocarros.

“Com a liderança política, pode-se mudar muito mais rápido do que se pensa”, disse ele. “Na Noruega, vê o Nissan Leaf por toda a parte. Todas as cidades e estados devem procurar ver o que eles podem fazer sobre este assunto”.

Fila de veículos elétricos em carregamento

Os membros oficiais do governo americano não querem avançar com datas para por o fim dos veículos a motor de combustão interna, mas os defensores dos veículos elétricos esperam que estes compromissos ajudem a mudar rapidamente a frota de veículos, ajudando a aliviar as alterações climatéricas e a diminuir os impactos na saúde provocados pela poluição do ar.

“A autonomia tem sido um dos grandes obstáculos à evolução dos veículos elétricos”, disse Sue Reid, vice-presidente do clima e da energia da Ceres. “Mas, agora os veículos elétricos estão a tornar-se cada vez mais competitivos devido aos avanços tecnológicos das baterias”.

“Há uma lacuna na conscientização e na educação nos EUA, mas uma vez que isso seja superado, as coisas vão mudar. Este é o começo do fim dos motores de combustão interna”.

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