Um futuro climático seguro passa pela eletrificação impulsionada por energias renováveis

Diante da urgência cada vez maior de empreender ações efetivas contra a mudança do clima, uma nova análise realizada pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, sigla em inglês) conclui que a intensificação do uso de fontes renováveis de energia para expansão da eletrificação poderia viabilizar mais de 3/4 da redução de emissões relacionadas a energia necessária para conter o aquecimento global.

De acordo com o relatório Global Energy Transformation – A roadmap to 2050, a eletrificação seria responsável por quase metade da combinação global de fontes de energia, sendo que o fornecimento global de eletricidade mais que dobraria até 2050 – em grande parte, gerado a partir de fontes renováveis, principalmente solar fotovoltaica e eólica.


“A corrida para garantir um futuro climático seguro está em um momento decisivo”, afirma Francisco La Camera, diretor-geral da IRENA. “As energias renováveis representam a solução mais eficaz, e que já existe, para inverter a tendência ascendente de emissões de carbono. Com a soma das energias renováveis com uma eletrificação mais ampla, é possível obter mais de 75% da redução necessária de emissões relacionadas a energia”.

Além disso, se a transição for acelerada de acordo com o roteiro desenhado pela IRENA até 2050, isso poderia gerar uma economia acumulada de até US$ 160 bilhões nos próximos 30 anos em custos evitados em saúde, subsídios relacionados à energia e danos climáticos. E a economia global teria condições de crescer cerca de 2,5% por ano até meados deste século. No entanto, os danos causados por eventos climáticos extremos podem gerar perdas socioeconômicas significativas.

“A transição para energias renováveis é lógica do ponto de vista econômico”, acrescenta La Camera. “Políticas que promovam uma transição justa, equitativa e inclusiva podem maximizar os benefícios para diferentes países, regiões e comunidades. Estamos falando de uma transformação que não se limita apenas à energia, mas que tem efeitos mais amplos, que englobam a sociedade e a economia como um todo”.

No entanto, o relatório avisa que as ações necessárias para aproveitar esse potencial estão atrasadas. Enquanto as emissões de gases de efeito estufa (GEE) relacionadas a energia continuaram a crescer a uma média de 1% ao ano nos últimos cinco anos, para atingir as metas climáticas globais precisaríamos reduzir as emissões em 70% com relação aos níveis atuais até 2050. Isso passa pelo aumento substancial do nível de ambição dos compromissos nacionais e das metas climáticas e de energia renovável.

O roteiro da IRENA recomenda que a política nacional se concentre em estratégias de longo prazo para viabilizar emissões líquidas zero até 2050. Ele também destaca a necessidade de promover e aproveitar a inovação sistêmica, o que inclui o fomento de sistemas energéticos mais inteligentes por meio da digitalização e da eletrificação, ampliando-a para setores de uso final, como aquecimento, refrigeração e transporte.

“A transformação energética está ganhando força, mas precisa ser acelerada”, conclui La Camera. ‘A Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e a revisão dos compromissos nacionais no âmbito do Acordo de Paris são marcos para elevar o nível de ambição nos próximos anos. É vital que uma ação urgente seja tomada em todos os níveis e, particularmente, que se viabilizem os investimentos necessários para impulsionar essa transformação energética. A velocidade e a liderança com visão de futuro serão elementos críticos, já que o mundo que queremos em 2050 depende das decisões sobre energia que tomarmos hoje”.

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