Energia eólica se consolida na matriz energética



Entrevista | Elbia Gannoum – ABEEólica

Elbia Gannoum, é presidente executiva da ABEEólica desde 2011. É Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Economia pela Universidade Federal de Santa Catarina, e bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Canal: Como a ABEEÓLICA avalia 2019?

Elbia Gannoum: Apesar de a economia brasileira não ter ainda dado sinais de que crescer como esperávamos, tivemos uma contratação boa de energia eólica no mercado regulado em 2019. Somando os leilões A-4 e A-6, foram contratados 1,13 GW de nova capacidade instalada. Assim como em 2018, repetiu-se o movimento de vender mais no mercado livre. Estimamos ter vendido mais de 2 GW no mercado livre em 2019, mas ainda não temos os números fechados.

O ano 2019 foi muito importante para a energia eólica: foi o período em que a fonte passou a ser a segunda da matriz elétrica brasileira, ocupando quase 10%. Foi também o momento que ultrapassamos a marca de 15GW de capacidade instalada.

Os números de 2019 ainda não estão fechados, mas estamos iniciando o 2020 com 15,4 GW instalados, em mais de 615 parques e mais de 7.500 aerogeradores. São números importantes e devem ser comemorados.

Canal: E para 2020, qual a expectativa de crescimento?

Elbia: Para 2020, embora não tenhamos um número do que esperamos contratar, esperamos que o movimento de contratar mais no mercado livre do que no mercado regulado tende a se repetir.

Canal: A energia eólica já evitou a emissão de quanto CO2 na atmosfera?

Elbia: Os dados de 2019 ainda não estão fechados. Em 2018, foram evitadas emissões de 20,58 milhões de toneladas de CO2.

Canal: O Brasil se consolidou na 8ª oposição do ranking mundial . A que se deve esse crescimento?

Elbia: Acreditamos que isso se deve a uma trajetória virtuosa de crescimento sustentável no Brasil, compatível com o desenvolvimento de uma indústria que foi criada praticamente do zero no País, o que foi o grande desafio deste período. Há dez anos, tínhamos pouco mais de 0,6 GW instalados e chegamos no segundo semestre de 2019 com 15,1 GW de capacidade instalada em mais 600 parques e com 7.500 aerogeradores em operação. De 2010 a 2018, o investimento no setor foi de US$ 31,2 bilhões, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance.

Canal: A energia eólica pode cobrir quantos por cento das necessidades brasileiras de energia?

Elbia: No caso do Brasil, podemos dizer que o potencial eólico atual é mais de três vezes a necessidade de energia do país. Hoje somando todas as fontes de energia – nuclear, hídrica, térmica, eólica e outras -, a capacidade instalada do Brasil é da ordem de mais de 160 GW. De potencial eólico, temos estimados mais de 500 GW. Isso não significa, no entanto, e é bom que se explique isso de forma clara, que o Brasil poderia ser inteiramente abastecido por energia eólica. Há que se considerar algo muito importante: a matriz de geração de eletricidade de um País deve ser diversificada entre as demais fontes de geração e a expansão da matriz tende a se dar por meio de fontes renováveis, dentre as quais está a eólica. 

Considerando que o Brasil ainda tem um baixo consumo de eletricidade per capita e o crescimento estimado para o País, a energia eólica ainda possui muitas décadas de desenvolvimento e ótimas perspectivas de crescimento. Sempre que falamos de contratações e do futuro da fonte eólica no Brasil, é importante reiterar esse conceito muito importante: nossa matriz elétrica tem a admirável qualidade de ser diversificada e assim deve continuar. Cada fonte tem seus méritos e precisamos de todas, especialmente se considerarmos que a expansão da matriz deve se dar majoritariamente por fontes renováveis. Do lado da energia eólica, o que podemos dizer é que a escolha de sua contratação faz sentido do ponto de vista técnico, social, ambiental e econômico, já que tem sido a mais competitiva nos últimos leilões. Não temos como saber quanto será contratado nos próximos leilões do mercado regulado, mas o futuro certamente é promissor para a fonte eólica.

Cejane Pupulin-Canal-Jornal da Bioenergia

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