Solar no campo: redução de conta e mais qualidade da energia


Reduzir a conta de energia é uma necessidade. E muitas residências, empresas e comércios vêm à energia solar fotovoltaica como uma boa alternativa. Mas no campo essa tecnologia também tem ganhado mais espaço. Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) já passa de R$ 1,2 bilhão no país. Segundo a entidade, os consumidores do agronegócio produtores rurais são responsáveis por 8,7% de todo o parque fotovoltaico na potência instalada na microgeração e minigeração distribuída a partir do sol no Brasil.

Segundo Raphael Brito, sócio fundador do Grupo Solarprime, por mais que há um crescimento da energia solar no Brasil – hoje, a geração distribuída solar fotovoltaica possui cerca de 2,3 gigawatts (GW) de potência instalada, incluindo residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e pequenos terrenos – o consumidor ainda não tem a completa consciência da real da necessidade de produzir a própria energia. “O cliente está acostumado a pagar uma parcela para a concessionária de energia que geralmente cabe no seu orçamento, assim, ele se habitua e acaba pagando muito em longo prazo. Já no campo, aonde as tecnologias chegam geralmente um pouco depois em relação à zona urbana, esse crescimento é um pouco menor, mas que possui um enorme potencial em relação aos seus benefícios e facilidade de aplicação.

Serventia

As vantagens do uso desta tecnologia na área rural são inúmeras. A primeira é a economia, já que produtor pode reduzir até 95% de um custo fixo de energia, podendo investir este valor no capital de giro, como em novas máquinas, em animais, em insumos de plantio e em várias outras melhorias em sua propriedade.

Outro ponto é a melhora na qualidade da energia. A energia que chega às propriedades rurais geralmente é de baixa qualidade, com grandes oscilações que podem até causar danos aos alguns equipamentos. Assim, com os equipamentos devidamente instalados, os prejuízos dessas oscilações passam a ser consideravelmente menores, visto que a tecnologia é uma fonte de energia livre de grandes variações de tensão e corrente, trazendo uma energia de alta qualidade aos equipamentos do produtor, reduzindo custos com manutenção e reposição de equipamentos elétricos.

Ainda, segundo Brito, há também a vantagem da redução da temperatura interna em aproximadamente 20% quando os painéis solares são instalados no telhado de um galpão da propriedade, reduzindo custos com energia com ventiladores ou ar condicionado.

Além disso, a energia solar fotovoltaica é limpa e renovável, contribui para a sustentabilidade do planeta. “E utilizar uma fonte de energia renovável em sua propriedade rural pode trazer uma boa referência ao produtor, agregando valor aos produtos, podendo inclusive solicitar selos de qualidade aos órgãos competentes”, pontua Brito.

O presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk, complementa que o uso cada vez mais frequente da tecnologia energia solar fotovoltaica junto ao segmento do agronegócio está diretamente relacionado com os altos ganhos de competitividade que a geração solar proporciona aos produtores, a medida reduz os custos com eletricidade, aumenta garante a segurança energética elétrica, protege o consumidor contra os aumentos das tarifas de eletricidade, aumenta a oferta de energia elétrica na propriedade rural, e torna a produção no campo mais limpa e sustentável e agrega valor à marca do produtor rural o processo produtivo.

Exemplos

Seguindo essa premissa de redução de custos e agregar valor ao produto, a Fazenda Tabatinga, em Minas Gerais, instalou painéis solares em março de 2018, desde então foram produzidos mais de 150 mil kwh em dois anos. Na época o investimento foi de R$ 265 mil e a expectativa é o retorno do investimento em quatro anos. A Fazenda atua no plantio e comercialização de café e cria bois nelores para corte.

Hoje a energia produzida atende a safra de café, as casas dos profissionais que moram na unidade, além do escritório e a residência do proprietário da fazenda que são na cidade. “A produção de café se consiste em lavar e secar. No entanto, o consumo energético é alto somente entre os meses de maio a outubro. Ou seja, durante o ano fazermos uma poupança com a concessionária, cedendo energia para desafogar a rede. E durante a colheita pegamos essa energia de volta”, explica o proprietário da Fazenda Tabatinga, Newton Castro.

A redução do valor da conta foi visível. De maio a outubro – época da colheita – a conta de energia elétrica do local variava entre R$ 6 mil a R$ 18 mil reais por mês. Depois do investimento, o valor caiu para R$70 mensais, o mesmo da época sem colheita. “As demais contas também caíram. A do escritório e das casas variavam entre R$ 120 e R$ 500 reais. Atualmente ficam entre R$ 30 e R$ 100”, exemplifica.

Newton Castro afirma que o uso da tecnologia renovável agregou valor ao seu produto. “O nosso café tem certificação por produzir a própria energia e ganhou um novo patamar no mercado. Esse é um assunto cada dia mais presente e pode ser o diferencial, além da qualidade, para encontrar uma posição adequada nos negócios”, explica.

Fonte: Canal-Jornal da Bioenergia

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