Reserva de ações da companhia de energia solar Rio Alto termina hoje. Vale investir?

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Estreia na bolsa está prevista para quarta-feira (28), com o código RIOS3. A companhia é uma das maiores geradoras de energia solar fotovoltaica do Brasil.

Termina hoje (23) o período de reserva para pequenos investidores comprarem ações da Rio Alto Energias Renováveis antes da estreia na bolsa, prevista para quarta-feira (28), com o código RIOS3. A companhia é uma das maiores geradoras de energia solar fotovoltaica do Brasil.

Atualmente, a empresa possui, por meio do Fundo de Investimento em Participações Rio Alto, uma fatia de 14,8% em três usinas em funcionamento: Coremas I Geração de Energia, Coremas II e Coremas III, com uma capacidade total de geração de 93,6 megawatt-pico.

O negócio tem ainda 100% de participação em cinco ativos em construção que devem iniciar a operação este ano e somam 156 megawatt-pico de capacidade, e 100% em sete projetos em fase de estruturação: Sol do Agreste, Coremas IX, Coremas X, Santa Luzia 1, Santa Luzia 2, Santa Luzia 3 e Lagoa Tapada, com previsão de início das operações ao longo de 2021, 2022 e 2023 e capacidade de geração total adicional de 1.570 megawatt-pico.

Fundada em agosto de 2020, a Rio Alto Energias Renováveis teve receita de R$ 183 mil no ano passado e prejuízo de R$ 3,7 milhões. Considerando os resultados consolidados do Grupo Rio Alto, o prejuízo em 2020 foi de R$ 3,8 milhões, 65,4% menor que o prejuízo de R$ 11,1 milhões em 2019.

A casa de análises independente Eleven Financial aconselha não entrar na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), por entender que a relação entre risco e retorno não é atrativa e que existem outras opções mais atraentes no setor de energia. O analista Renato Pinto afirma, em relatório, que a maior parte dos resultados da companhia em 2024 virá dos projetos em desenvolvimento e que essa é a parcela que apresenta maior risco, na sua projeção.

Conforme Pinto, 50% da energia desses projetos ainda não foi contratada, assim como os contratos de financiamento ainda não foram estruturados. "Se compararmos com outras empresas do setor de energia, que têm histórico de resultados e são boas pagadoras de dividendos, a Rio Alto Energia não apresenta potencial de valorização atrativo e não será negociada com um desconto atraente que justifique sua recomendação", diz.

Contudo, na avaliação do analista, essa companhia será interessante de acompanhar a medida que seus projetos evoluírem, por ser um concorrente de baixo custo tanto no desenvolvimento quanto na operacionalização do negócio de geração solar.

A casa de análises independente Suno Research também recomenda não aderir à oferta, pelo fato de a maioria dos projetos estar em fase pré-operacional, em que o risco de execução é relevante. Além disso, na visão dos analistas Rodrigo Wainberg e João Daronco, há incertezas de governança e o preço é pouco atrativo, sem margem de segurança. No entanto, eles afirmam que vão continuar acompanhando o desenvolvimento dos projetos.

"A Rio Alto é uma das maiores empresas do setor de geração de energia fotovoltaica no Brasil. Ela está presente em um segmento muito promissor devido ao aumento de demanda por energia projetado para os próximos anos, consequência do crescimento econômico. Portanto, as energias renováveis são cada vez mais procuradas pelas empresas", dizem, em relatório.

Mais sobre a oferta

A oferta é primária, quando são emitidas novas ações e o dinheiro vai para o caixa da companhia. Do dinheiro captado, 90% irão para investimentos nos projetos de geração de energia solar em construção e desenvolvimento, 7,5% para reforço de caixa e capital de giro e 2,5% para investimentos em futuros projetos de energia solar.

Os acionistas atuais são Edmond Chaker Farhat Junior e Rafael Sanchez Brandão, que têm 50% cada e podem cair para até 21,8% cada se forem exercidos os lotes adicional e suplementar.

Para fazer a reserva de ações da empresa, basta o investidor avisar a corretora quantos papéis gostaria de comprar no IPO e por qual preço. O valor mínimo para participar da primeira venda de ações do negócio é de R$ 3 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão.

A Rio Alto estabeleceu o intervalo indicativo de preço por ação entre R$ 15,87 e R$ 20,63. Nas ofertas de ações, as companhias e os bancos coordenadores testam uma faixa de preço. Se a venda acontecer no valor mais alto, significa que a demanda pelos papéis foi grande. Já se a venda acontecer no valor mais baixo, significa que a demanda pelos papéis foi pequena.

O valor será fixado na segunda-feira (26). Considerando o meio da faixa de preço, de R$ 18,25, e a oferta base de 44,1 milhões ações, a operação pode movimentar R$ 805 milhões. Além da oferta base, podem ser exercidos um lotes adicional de 8,8 milhões de papéis e um lote suplementar de 6,6 milhões de papéis.

A operação é coordenada por XP, BTG, Bradesco BBI e Credit Suisse.

Cuidados para investir

Investir em IPO é cilada se o investidor não entender a fundo o que está comprando, segundo analistas. Na avaliação deles, em geral, é mais seguro comprar ações de empresas já listadas, porque as companhias tendem a ter mais histórico de números e a se comunicar melhor com o mercado.

Mas há boas (só que mais raras) oportunidades nas ofertas para quem estiver disposto a estudá-las com atenção. Empresas que estreiam na bolsa são como "small caps", termo em inglês usado para se referir a ações de empresas consideradas menores quando comparadas às gigantes da bolsa.

Por estarem ingressando no mercado, essas companhias podem ter um futuro promissor pela frente, com alto potencial de crescimento e bom retorno para os acionistas. Muitas delas são inovadoras ou atuam em setores ainda não consolidados. E a vantagem de investir no IPO é a chance de conseguir um preço ainda mais barato pela ação.

Por outro, pode ser uma aventura de dar frio na barriga. Isso porque são ações que apresentam maior risco e volatilidade, além de terem menor volume de negociações na bolsa, ou seja, pode ser difícil vender os papéis sem ter que "dar desconto". Isso faz com que essas ações sejam mais indicadas para quem pode deixar o dinheiro investido em longo prazo.

Da mesma forma que podem ter um ótimo crescimento, isso pode simplesmente não acontecer, e o investidor pode perder muito dinheiro. Analistas aconselham só participar de IPOs de companhias de setores totalmente novos na bolsa, ou cujas ações estão mais baratas do que as das concorrentes já listadas.

É preciso conhecer as perspectivas para o setor, como a empresa ganha dinheiro, quais são as suas vantagens competitivas e quais são os riscos para o seu negócio. Para saber se o papel está barato na oferta, é preciso analisar múltiplos como o preço sobre o lucro.

Nada disso é simples. Os analistas levam dias para avaliar se vale a pena participar do IPO de uma empresa. Casas de análises como a Levante, a Suno Research e a Eleven Financial produzem relatórios pagos com essas avaliações para pequenos investidores.

Fonte: Por Júlia Lewgoy, Valor Investe

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